quinta-feira, 31 de julho de 2008

CHILE

CHILE

Situado na América do Sul, o Chile é um país de belas paisagens, como o deserto de Atacama que é o lugar mais seco do mundo, localizado ao norte, também desfruta da beleza da região dos lagos no centro sul, das geleiras e a Patagônia no extremo sul e da famosa ilha de Páscoa localizada no Oceano Pacífico.

História do Chile

Os índios atacamas ocuparam a região norte até o século XV, quando o domínio passou para os incas. O sul foi povoado pelos araucanos e no extremo sul foi dominado pelos fueguinos e pelos patagões.
O Chile, antigamente chamado de Outro Peru, foi conquistado pelo espanhol Diego de Almagro, entre 1536-1537. Pedro de Valdivia, também espanhol, dominou o Vale Central e fundou Santiago em 1541. Bernardo O’Higgins e o argentino José de San Martín conseguiram independência chilena na batalha de Maipú em 1818. De 1879 à 1884 surge a Guerra do Pacífico onde o Chile ganha do Peru a região de Atacama.
Eduardo Frei do Partido Democrata-cristão, iniciou a reforma agrária e a nacionalização negociada e gradual da indústria do cobre de 1964 à 1970.
Eleito em 1970, Salvador Allende, da unidade Popular (aliança de socialistas, comunistas e cristãos de esquerda), nacionalizou mineradoras norte-americanas e foi alvo de uma campanha de desestabilização feita pelos Estados Unidos.
Em 1973, Allende se suicida, pelo fato de ter sofrido um golpe militar dado pelo general Augusto Pinochet, que assume o poder, iniciando um período de ditadura, onde deixa milhares de mortos, desaparecidos e exilados. Pinochet foi derrotado em plebiscito, em 1988, pelo fato de sua permanência estar no poder mais de oito anos.
Em 1989, o democrata-cristão Patrício Aylwin tornou-se presidente, porém a constituição de 1981, permitiu a liderança das Forças Armadas à Pinochet até 1998. O filho do ex-presidente Eduardo Frei, Eduardo Frei Ruiz Tagle, foi eleito presidente em 1993.
Conforme a Constituição de 1981, Pinochet deixou o Exército e assumiu cadeira vitalícia no senado em março 1998. Em outubro do mesmo ano, o ditador foi preso em Londres, onde fazia tratamento médico. Ele foi preso a mando da Justiça espanhola, que pretendia julgá-lo por crimes contra a humanidade. O governo chileno protestou, dizendo que ele não poderia ser processado fora do Chile, pois o ditador teria imunidade diplomática.
Em janeiro de 2000, Ricardo Lagos foi eleito presidente, que continua a ser o presidente nos dias atuais, sendo o primeiro socialista a governar o Chile depois do golpe de 1973. Em março do mesmo ano, Pinochet é autorizado a voltar ao Chile, pois ele já tinha 84 anos e foi considerado incapaz fisicamente de enfrentar julgamento. No Chile o ditador tinha mais de 200 processos criminais contra ele. Em julho de 2001, o caso Pinochet se encerra porque a justiça concluiu que o ditador estava num estado mental incapaz de se defender. Pinochet renunciou ao cargo de senador vitalício três dias após da Suprema Corte considerá-lo incapaz mentalmente de continuar ao cargo em julho de 2002.

Geografia e ambiente

O Chile desde o Oceano Pacífico até a Cordilheira dos Andes, forma uma estreita faixa de terra. Localizado no sudoeste da América do Sul, o Chile possui o território mais estreito do mundo, pelo fato de seu comprimento ser 25 vezes maior que a sua largura.
A área total chilena, segundo o CIA World Factbook (2005), é de 756.950 km2 (incluindo suas ilhas), sendo de área territorial de 748.800 km2 e marítima 8.150 km2. Segundo dados da Fundação Geolíngua (2005), cerca de 80% do país é montanhoso.
O Chile faz uma fronteira de 5.150 km com a Argentina, 861 km com a Bolívia e 160 km com o Peru. Sua costa possui 6.435 km de extensão e é banhada pelo Oceano Pacífico, onde existem arquipélagos, como Chiloé, ilhas Diego Ramirez, Chonos, Guayeco, ilhas de Juan Fernandez, São Félix, Sala, Gómez, São Ambrósio e também a famosa ilha da Páscoa.
O país sofre com os efeitos da atividade sísmica e vulcânica, devido a placa de Nazca. Por causa da corrente fria de Humbolt suas costas possuem temperaturas moderadas. Na Cordilheira do Andes, a cada 150 metros de altitude, a temperatura diminui 1º C.
O clima chileno é diversificado, ao norte subtropical, onde está o Deserto de Atacama, o mais seco do mundo. Na região meridional o clima é mais frio, sendo ele temperado, marítimo e chuvoso. Na região dos lagos chove demais, tendo um índice pluviométrico alto. A região sul é fria e úmida, coberta por florestas. A fauna chilena não é muito diversificada, devido à barreira formada pela Cordilheira dos Andes.
O Chile possui uma boa diversidade de rios, porém eles são relativamente curtos. Geralmente nascem na Cordilheira dos Andes e deságuam no Oceano Pacífico. Os rios considerados mais importantes para o Chile são: Lluta, Loa, Elqui, Limarí, Choapa, Petorca, La Ligua, Aconcágua, Maipo, Rapel, Mataquito, Maule Biobío, Imperial e Toltén. A área situada entre os rios Aconcágua e Biobío é muito fértil e essencial para a área agrícola chilena. Alguns destes rios servem para o regadio e produção de energia hidroelétrica. A região de Los Lagos é dotada de grandes lagos.
Na famosa Cordilheira dos Andes, se encontram várias montanhas com altitudes superiores a 6.000 metros. Nesta região é encontrado o pico mais montanhoso do Chile e o vulcão ativo de maior altitude do mundo, o Ojos de Salado com 6.893 metros.

Regiões do Chile

O país se divide em 13 regiões, 51 províncias e 342 comunas, conforme abaixo:

· Região de Taracapá: Ainda que situada no deserto mais seco no mundo, esta região dispõe de recursos hídricos no Altiplano, com muitas chuvas no verão. As cidades principais são Arica e a capital Iquique, as quais desfrutam de águas cálidas e clima ameno, que tem influenciado em seu turismo.
A capital Iquique se tornou uma das maiores cidades balneárias do Pacífico com excelentes hotéis, restaurantes, boates, entre outros. Possui uma bela arquitetura que preserva as construções de seu passado.

· Região de Antofagasta: Região que se destaca pelos minérios, em principal o cobre e em menor escala o nitrato de potássio, ouro, iodo e lítio. Segundo o governo chileno, os produtos minerais representam 53% da produção nacional de minérios, além de ser um setor importante para as exportações.
Antofagasta também é contemplada por cultura e belas paisagens. Sua população se concentra na capital Antofagasta e Mijillones, situadas na costa. E Calama no interior, que é o núcleo da atividade extrativa e a onde residem muitos de seus trabalhadores.

· Região de Atacama: Esta região combina o clima seco e árido do deserto com as férteis terras agrícolas nos vales. Estas características são fundamentais para a agricultura e a mineração.
Segundo informações do governo chileno, na capital Copiapó vivem 61,1 % da população regional. Outras cidades importantes desta região são o porto de Chañaral e Vallenar, centro da mineração de ferro.
A Região de Atacama é contemplada por vários atrativos turísticos, como praias e costa de 528 km, deserto, vulcões, entre outros.


· Região de Coquimbo: Região localizada na zona central, contemplada por portos, rodovias e aeroportos. A capital La Serena conserva a arquitetura de sua colônia, e também é considerado o coração econômico, político, financeiro, administrativo e turístico da região.
O porto de Coquimbo é um lugar de águas tranqüilas e opera todos o dias do ano, sendo o principal lugar de embarque das exportações na região e também ponto de cruzeiros turísticos.
Segundo o governo do Chile, existe uma grande expectativa para multiplicar os negócios que com a melhora da rota até Paso de Água Negra, que une a região com a província Argentina de San Juan, Coquimbo seja o extremo de um corredor oceânico que chegue até Porto Alegre, no Brasil.

· Região de Valparaíso: Região muito conhecida por suas paisagens e arquitetura possui também a administração da Ilha de Páscoa e do Arquipélago Juan Fernández. A Capital Valparaíso possui o principal porto do país. Nesta região se localizam empresas, serviços e instituições. Outra cidade muito importante é Viña Del Mar que está muito próxima a Valparaíso.
Na cordilheira se encontra o principal complexo aduaneiro terrestre do país, chamado de Paso dos Libertadores, que tem ligação com a cidade de Mendonza, por onde passam uma média de 1.300 veículos por dia.

· Região do Libertador General Bernardo O’Higgins: A capital Rancagua está somente a 88 km de Santiago. Na cordilheira, 44 km ao interior, se encontra a maior mina subterrânea de cobre do mundo, El Teniente, que tem 2 400 km, sendo a principal base produtiva e exportadora.
O setor agropecuário, segundo dados do governo chileno, contribui com 30,1% do PIB regional. A combinação de tradições com modernidade tem sido de grande importância para o destaque da fruta chilena para os mercados do mundo, tendo sempre um esforço coletivo, privado e público.
A infraestrutura, principalmente estradas e portos, devem expandir-se com o aumento da demanda. A atividade industrial desta região é a base da mineração de cobre, agroindústria e setor de alimentos e bebidas. Uma das atividades crescentes é a elaboração de sucos e desidratado de fruta.
Houve um desenvolvimento do setor florestal nos últimos anos, principalmente eucalipto e pinheiro. Os vinhos ocupam o sexto lugar nas exportações regionais.
Com o clima um pouco mais frio do Valle de Colchagua, é possível obter bons vinhos tintos e ótimos brancos. Além do clima, tem o solo favorável, com terras férteis e profundas.

· Região do Maule: Localizada na zona central, esta região, segundo dados do governo chileno, tem uma ótima influência na vitivinicultura, produzindo 50% dos vinhos finos para a exportação. A capital Talca é um importante centro industrial, exportador e de serviços.
A terra é fértil devido à presença dos rios Mataquito e Maule. A silvoagricultura com as plantações de uvas é a principal atividade econômica da região, e também influencia indiretamente os serviços de transportes e comunicações, que dependem de seu desempenho.
O setor florestal, onde as plantações de pinheiros e eucaliptos são predominantes, destaca a importância da celulose, uma das principais exportações. O Vale de Curicó é considerado o centro da vinicultura chilena, pois a produções de vinhos é uma atividade tradicional desde 1830.

· Região de Bío Bío: A paisagem desta região é muito variada, com vales regados pelos rios Ítala e Bío Bío. A principais cidades são Talcahuano, Chillán, Los Angeles e a capital Concepción que desfruta de uma indústria dinâmica, ágil comércio e doze universidades.
Chillán se caracteriza pelo setor agroindustrial e desfruta de uma importante infraestrutura hoteleira. Em Los Angeles houve um crescimento comercial, industrial e agropecuário, em razão a solos férteis e de excelente qualidade.

· Região de Araucanía: Região conhecida por belas paisagens, tem a agricultura em processo de diversificação. A capital Temuco é uma das cidades mais jovens do Chile e de maior população, deste modo revela um atrativo como pólo industrial, comercial, financeiro e de serviços.
Antigamente a região se caracterizava pelos cereais. Hoje, a agricultura está muito diversificada, e há um bom desenvolvimento urbano e comercial, e também boa possibilidade de turismo. Também se destacam os bovinos, suínos, ovinos e eqüinos, com uma boa produção de leite e seus derivados.
A região tem como seu produto principal o trigo, mas em busca de novas alternativas estão emergindo a fruticultura e a floricultura. Sua paisagem e clima são um fator favorável para o crescimento do turismo, além disso, a região oferece uma ótima infraestrutura.
Na última década as plantações florestais tem sido de grande importância, pois proporcionam matérias-primas para produzir, celulose, madeira, entre outros.
O maior lago da região é o de Villarrica, que está aos pés do vulcão Villarrica. Perto se localizam as cidades de Pucón e Villarrica, onde a estrutura da cidade respeita o estilo do lugar. Outros lagos importantes são o de Caburga, Cólico e Budi.

· Região dos Lagos: Região das mais belas paisagens do Chile, com lagos, pradarias e colinas cobertas de vegetação que na maioria tem ao fundo um vulcão. Também desfruta de rios verdes e profundos que descem da cordilheira entre bosques virgens, e as ilhas de Chiloé.
Puerto Montt é a capital, porém a região desfruta de outras cidades de importância como Osorno e Valdivía, cidade portuária, onde se sobressai o setor florestal.
Na cidade de Osorno predominam o gado, a agricultura e a indústria láctea. Chile produz as melhores batatas do país e a estrutura econômica da região se completa com o turismo e com o aumento de serviços.
Os salmões são responsáveis pela maioria da mão-de-obra e das exportações, e o objetivo dos produtores até 2010 é que um de cada quatro salmões seja chileno.

· Região de Aysén do General Carlos Ibáñez do Campo: Esta região é a menos povoada, sua capital é Coyhaique. Estão repletos de ilhas, canais, fiordes, lagos, campos de gelo, entre outros. Durante muito tempo as pessoas tiveram que viajar até o norte do Chile por território argentino, mas isto foi resolvido com um novo caminho chamado de Estrada Austral, que se inicia em Puerto Montt e já se estende em 1.240 km. Isto levou muito esforço técnico e humano, além dos 200 milhões de dólares investidos na região. (Gobierno del Chile, 2005).
A economia se baseia no setor primário, principalmente no uso e elaboração dos recursos do mar, minérios, florestais e pecuários. A região, segundo dados do governo chileno, é responsável por 80% da produção chilena de salmões.
Ao redor de Puerto Chacabuco, Puerto Aysén e Puerto Cisne, foi criado um parque industrial com plantas dedicadas a elaboração de produtos congelados e em menor escala conservas.
A exploração de bosques e a elaboração de madeira tridimensionada têm como destino a exportação. A produção pecuária se concentra em bovinos e lã de ovelha, também exportados.
Segundo dados do Gobierno del Chile (2005) o turismo cresce num ritmo de 15% ao ano e dá lucros de 50 milhões de dólares. A cada ano chegam 18 mil apaixonados pela pesca esportiva, pelo fato desta região ter lagos onde se pode encontrar peixes de até 5 kg.

· Região de Magallanes e da Antártica Chilena: Esta região abrange dois continentes, a América e a Antártica. Tem o clima mais frio do país e possui as únicas vias marítimas naturais que permitem navegar entre os oceanos Atlântico e Pacífico, que são o estreito de Magallanes e o Mar de Drake.
Punta Arenas, a capital, é o ponto de partida e o principal provedor de serviços para as atividades na Antártica. O desenvolvimento inicial desta região foi marcado pelo ouro e gado, depois houve o descobrimento do petróleo em Tierra del Fuego em 1945, que gerou um novo impulso na economia.
Outro fator importante é o desenvolvimento do gado, que desfruta de solo, clima, capacidade técnica e a existência de diversas espécies. As exportações são lideradas por produtos químicos, seguidos da indústria pesqueira e agrícola.
O turismo é um setor que tem crescido nos últimos anos, a Patagônia atrai milhares de turistas, especialmente europeus.

· Região Metropolitana de Santiago: Esta é a menor região e a mais povoada do país. Nela está a capital, Santiago, que é o centro da economia chilena, tendo vários museus, universidades, cinemas, teatros e recinto esportivos. A Cordilheira dos Andes é o principal ponto de referência, no inverno sua montanha nevada forma uma impressionante paisagem.
Santiago é o principal centro consumidor do país e a maioria das empresas tem suas sedes na cidade.
Grande parte do PIB da região depende do setor de serviços. A indústria têxtil, química, de produtos metálicos, maquinarias e equipagens, são muito importantes para a economia.
Segundo dados do Gobierno del Chile (2005), 80% do solo da região tem potencial agrícola. A maioria está direcionada para a produção de vinho, principalmente no vale do rio Maipo.
A capital chilena deseja se tornar em um centro de negócios que sirva como plataforma de investimentos e sede para convenções internacionais até 2010.
A localização de Santiago é privilegiada, pois está no centro do país, em curta distância de portos importantes, e com um aeroporto que oferece destino a vários lugares.

A cultura e os negócios do Chile

O Chile apresenta um bom Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), e um dos melhores da América do Sul. Países da região tentam seguir os modelos chilenos de reforma do Estado, da economia, da previdência e da saúde.
Os europeus e os indígenas mapuche e aymará, deixaram várias características, como coragem e persistência. A solidariedade é muito forte na cultura chilena, pois eles já sofreram muito com os desastres geográficos. Como no Brasil, a maioria da população é católica e também há presença protestante.
Os chilenos geralmente são pontuais e suas reuniões de negócios se iniciam no horário marcado, sendo que um aperto de mão é indispensável no início de um encontro de negócios.
O idioma é algo muito importante, pois os chilenos preferem que os negócios sejam tratados em espanhol, tanto que os empresários que vão ao Chile, sempre levam seus cartões de visitas em duas ou mais línguas, com o espanhol no verso. Os títulos que uma pessoa possui também são postos no cartão de visita, pois no Chile é costume chamar um médico de doutor, e as pessoas que não tem títulos profissionais, são tratados por Senhor, Senhora e Senhorita.
No Chile são usados dois sobrenomes, sendo o primeiro do pai e o segundo o da mãe, porém no tratamento formal é sempre utilizado o sobrenome paterno. O chileno releva a capacidade de uma pessoa se manter cordial e simpática e os encontros de negócios sempre são sérios e formais.
Os chilenos têm duas características importantes, como honestidade e integridade. Eles sempre tentam superar as barreiras geográficas as quais enfrentam.

Dados políticos e econômicos do Chile

O país de Estado unitário é oficialmente chamando de República do Chile, que utiliza o sistema de administração regional. O governo da região corresponde ao Presidente da República que é assessorado por um Conselho Regional de Desenvolvimento, como órgão resolutivo, normativo e fiscalizador.
O Intendente administra as regiões e o Governador administra as províncias, que é subordinado ao Intendente. Também existe o Conselho Econômico e Social Provincial, presidido pelo Governador.
Os alcaldes (prefeitos) administram os municípios auxiliados por um Conselho, que é um órgão resolutivo, normativo e fiscalizador da prefeitura, presididos pelo alcalde.
No Chile a partir de 1985, iniciou-se a aplicação de uma política monetária relativamente ativa, com o tipo de câmbio flutuante. Deste modo, obteve-se espaço para poder ter algum tipo de controle sobre a emissão da moeda ou taxas de juros.
Entre os anos de 1985 e 1988, com o intuito de diminuir o déficit na balança de pagamentos, o governo chileno incentivou a desvalorização do peso, e também tentou concentrar esforços na orientação da política econômica para enfrentar as restrições externas.
O Banco Central do Chile tornou-se independente do governo a partir de 1990, tendo como objetivo a estabilidade da moeda e o controle sobre o nível de preços, com o intuito de deixar as taxas como as praticadas nos países industrializados.
País de franca expansão econômica, o Chile possui uma infra-estrutura moderna, com sistema viário, setor hoteleiro e telecomunicações bem desenvolvidos que facilitam seu crescimento econômico. Hoje cerca de 170 países fazem negócios com o Chile, e turistas do mundo inteiro usufruem os encantos do país.
Foi a partir de 1990 que o Chile teve maior abertura econômica. Desde esta data, o país firmou vários tratados e acordos de comércio, tornando-se a primeira economia da América Latina e está entre as 22 maiores economias do mundo, sendo um dos países com maior crescimento econômico do planeta.
Desde 1999 a balança comercial chilena apresenta saldo positivo, e em 2003 a corrente de comércio cresceu 13,9% em relação a 2002. (Informe do Banco do Brasil, 2004).
Matéria-prima e recursos naturais processados, principalmente minerais, comandam as exportações chilenas. O cobre se sobressai perante outros produtos, e consciente disto, o governo chileno vem estimulando o desenvolvimento de outras atividades, para o comércio internacional não ficar somente dependente do cobre.
O cobre, metanol, a madeira e pasta química de madeira, uvas e salmão, são os principais produtos exportados. A importação chilena é basicamente bens industrializados, como máquinas, equipamentos, automóveis e também alguns minerais.
Estados Unidos, Japão, China e Coréia do Sul foram os principais parceiros comerciais nas exportações chilenas, também se destacando em menor escala Itália, México, Países Baixos, Brasil, França e Reino Unido.
Argentina, Estados Unidos, Brasil e China foram os maiores fornecedores chilenos nas importações, e em menor escala Alemanha, França, Coréia do Sul, México e Espanha.
O Chile possui uma aduana moderna, que agiliza a entrada e saída de mercadorias, sendo que não é exigido nenhum documento com característica de uma licença de importação, e também não existe cota ou contingenciamento a serem feitos. Não existe monopólio de importação e é proibida a diminuição de qualquer atividade que impeça a concorrência.
Veículos usados de transporte de carga e passageiros são as únicas mercadorias com importação proibida. As mercadorias que necessitam de certificados específicos são: produtos como armas e explosivos, animais vivos, remédios, bebidas alcoólicas, cigarros, alimentos, vegetais e carnes. O Servicio Agrícola y Ganadero (SAG) do Ministério da Agricultura do Chile é que controla as mercadorias vegetais e animais.
Só existem dois impostos do país, o imposto de Renda cuja alíquota vai até 42% e o Impuesto a lãs Ventas y Servicios é o imposto cobrado sobre valor agregado, que é de 19% até o final de 2005, quando deve cair para 18%, e nas importações se o país de origem tiver acordo com o Chile, o imposto de importação será 0% e se o país não tiver acordo será de 6% para todo produto. (Revista Exame, 2005).
As relações entre Brasil e Chile mantiveram-se superavitárias para o Brasil em 2002 e 2003. Em 2003 o Chile foi o décimo país de destino das exportações brasileiras e o décimo quinto país de origem nas importações.
Em janeiro de 2003, o governo chileno lançou a campanha “Chile, País Plataforma”, com o intuito de atrair investimentos em tecnologia e serviços, visando negócios com a América Latina e desta com o mundo.
Hoje o Brasil recebe mais de 900 produtos vindos de mais de 800 empresas chilenas. Os setores mais importantes são o de minérios (58%), o industrial (28%) e o agrícola (5%). (Informe do Bando do Brasil, 2004)
Veículos, entre eles, automóveis, camionetas, ônibus, caminhões e tratores, junto com a carne bovina e polietilenos de alta densidade, compões as importações chilenas do Brasil.
Nos últimos anos o produto interno bruto (PIB) do Chile cresceu a um ritmo de 5,5% ao ano. Nos últimos 15 anos, o analfabetismo foi quase eliminado e a miséria foi diminuída de 21% a 4% da população, por este motivo as favelas desapareceram e pedidos de esmola nas ruas são raros. (Revista Exame, 2005)
A taxa mais alta utilizada no país é a de 24% do cartão de crédito, sendo considerada um abuso, pois os juros dificilmente ultrapassam os 10% anuais. Nos empréstimos chilenos são utilizadas taxas tão baixas que os cálculos são feitos com juros simples, somando as taxas mensais.
Segundo a revista Exame (2005), há mais de 20 anos que os chilenos não pagam previdência ou saúde para o governo, ao invés disto eles destinam 10% de seus salários para a previdência privada e 7% ao seguro saúde, cujos fornecedores eles que escolhem. As escolas públicas no país são somente para quem tiver baixa renda comprovada.
Em relação à corrupção, o país se destaca, ficando entre as nações com menos corrupção, sendo que um simples cheque sem fundo dá cadeia. O Chile foi o primeiro país sul-americano a iniciar um controle de longo prazo de inflação, hoje tem a inflação baixa e controlada e não tem acordo e nem o que pagar para o FMI desde 1995.
Desde o governo de Pinochet que o Chile está exposto à concorrência e ao mercado aberto, e os empresários não costumam pedir proteção nem subsídios ao Estado, porque já sabem que a resposta será negativa. Multinacionais utilizam o mercado chileno para testar novos negócios e a capacidade gerencial dos executivos.
O Chile é um país associado ao MERCOSUL, porém optou em não fazer parte do bloco porque queria liberdade para negociar com o mundo. Para o Chile a partir do momento que se abre um novo mercado, os chilenos começam a investir em novos produtos.



Fonte: Elaborado por Bruna Bitencourt em 2005

3 comentários:

marcos vinicius disse...

ótimo trabalho

Cris disse...

Gostei dessa mina de informacoes.Obrigado!
Christian um frances em SP

Cris disse...

C